[REVIEW] YOSHI’S WOOLLY WORLD vai muito além da maciez

Após mais de dois anos de seu anúncio inicial [o que é tempo considerável para se esperar de um jogo do estilo], Yoshi’s Woolly World finalmente foi lançado para Nintendo Wii U em outubro deste ano (outubro para as américas, os sortudos da Europa puderam desfrutar da nova aventura de Yoshi em junho). O novo jogo da Good Feel, estúdio responsável pelo inovador e controverso Kirby’s Epic Yarn, trazia a mesma proposta de seu antecessor, mas agora quem entraria no mundo de lã seria o adorável companheiro de Mario, e tudo o que descaracterizou Kirby em sua aventura pelo mundo dos novelos, trouxe mais força e identidade para o adorável universo dos Yoshis.

JOGUE O JOGO! SINTA O JOGO!

Woolly World é a redenção dos jogos solo de Yoshi, depois de episódios de qualidade duvidosa, como Yoshi’s Island DS e Yoshi’s New Island. Nesse novo game, toda a identidade criada no primeiro Yoshi’s Island, um dos jogos mais adorados das aventuras solo do personagem, foi preservada para que seu protagonista pudesse finalmente garantir seu lugar ao sol no mundo dos games. É arriscado dizer que Woolly World chega a ser melhor que Island, então não vamos entrar nesse mérito, mas podemos afirmar, com total convicção que nossa vasta experiência no mundo dos games nos permite, que ele é tão bom quanto, e oferece uma aventura à altura do jogo que transformou Yoshi em uma marca forte, e fez com que todos se apaixonassem por controlar o adorável personagem secundário, agora brilhando como protagonista de sua própria aventura.

Quando foi lançado para o Wii, Kirby’s Epic Yarn causou um certo furor entre os fãs da série por descaracterizar demais o personagem. E não estamos falando apenas do fato do jogo ser fácil demais (afinal, é impossível morrer em Epic Yarn), porque todos que já jogaram jogos suficientes de Kirby sabem que facilidade é parte do processo dos games da franquia, mas pelo fato de apresentar o personagem em um universo que não trazia referências suficiente do que a franquia construiu ao longo dos anos. E aqui nós estamos apenas repassando algumas das reclamações mais comuns entre os fãs, porque nós temos opiniões diferentes sobre Epic Yarn, entretanto desta vez não estamos aqui para analisar esse jogo. Mas se foi mesmo esse o caso, em Woolly World, todo o colorido e as texturas evoluídas do mundo de lã (panos, botões, agulhas) trabalharam a favor da ilha dos Yoshis, transformando todos os cenários em ambientes cheios de vida, capazes de traduzir com perfeição a essência de seu protagonista e de todos os seres que habitam aquele lugar.

O design do game está impecável, e vai além de mostrar fiapos na lã dos personagens (mas só isso já seria o suficiente para arrancar suspiros de qualquer um que saiba apreciar um trabalho bem feito). Todas as texturas estão absurdamente reais, mesmo sendo um jogo com aspecto cartunesco. A lá, os tecidos, os botões, tudo é ‘palpável’, tudo respeita a física dos objetos que representa. Chega a ser reconfortante ver a forma como os objetos feitos de tecido, espuma, fumaça e plástico se movimentam à medida que Yoshi e os outros personagens passam por cima deles. Houve um cuidado em inserir lógica na interação entre os personagens e objetos, mostrando que em 100% dos casos um desenvolvimento longo é benéfico para que um trabalho possa ser realizado a contento e que os desenvolvedores possam entregar aos jogadores o resultado que eles esperavam. Basta assistir aos vídeos que foram divulgados no estágio inicial de desenvolvimento, e ver o produto final, para perceber como as mudanças são gritantes, e como é prazeroso esperar para ver um jogo evoluir a ponto de ficar ‘perfeito’. E foi exatamente o que aconteceu com Woolly World. Um desenvolvimento longo, que permitiu perfeição de design no resultado final.

É PERIGOSO IR ACOMPANHADO

Yoshi’s Woolly World sabe muito bem como balancear a dificuldade de seu gameplay. Começando com fases extremamente fáceis, onde os itens basicamente se jogar sobre você para que você possa coletar todos, o design das fases vai ficando cada vez mais elaborado, criando uma curva de aprendizado perfeita para que você possa se habituar ao universo de lã antes de começar a levar porrada do jogo e cair nas fases que irão te fazer amaldiçoar toda aquela fofura. E os coletáveis vão ficando cada vez mais escondidos e mais distantes do raio de alcance do personagem, usando e abusando da criatividade que aquelas ambientações permitem. Fazer 100% pode dar certo trabalho. Não é uma missão que irá exigir um esforço extraordinário, mas vai sim exigir cuidado, concentração, atenção nos detalhes, e aumentar o Fator Replay do jogo, fazendo com que você precise percorrer as mesmas fases diversas vezes para coletar tudo o que é necessário.

E se as batalhas contra os chefes não oferecem desafio, ao menos elas oferecem o mesmo nível de genialidade que Yoshi’s Island proporcionava. Os chefes são criativos, inteligentes e diversificados, fazendo com que você, inicialmente, tenha que entendê-los e utilizar sua movimentação contra eles a fim de derrotá-los.

O jogo ainda apresenta dois modos de dificuldade, o Classic Mode, que já é relativamente fácil, e o Mellow Mode, que faz com que Yoshi voe durante toda a fase, transformando tudo em algo absurdamente mais fácil do que já é. Mas existe outra forma de definir níveis de dificuldade nesse jogo: Single Player e Multiplayer. O jogo permite que você percorra toda a aventura ao lado de um amigo, assim como em Super Mario 3D World, mas aqui o multiplayer é apenas para duas pessoas. Mas assim como em SM3DW, ele transforma a aventura em… uma verdadeira aventura. Sobreviver às fases e recuperar todos os itens pode se transformar em uma tarefa árdua com um amigo te acompanhando. O que deveria ser co-op acaba se transformando, sem querer (nem sempre) em versus, porque é muito mais fácil do que você imagina fazer com que seu Yoshi engula seu amigo por acidente, fazendo com que ele perca todas as suas bolinhas, e ele terá que recuperar tudo novamente. E se o jogo oferecer algum item escondido em um momento crucial, vocês podem ficar sem ele por estarem brincando de engolir o amigo e jogá-lo nos inimigos, ou em um penhasco. Ee você ainda não experimentou o multiplayer de 3D World ou de Woolly World, não me entenda mal, isso não é (nem de longe) ruim. É o que torna o jogo realmente divertido.

MUITA LÃ…

Hoje em dia, uma nova forma de medição foi inserida nos jogos da Nintendo: ‘quão boa é a utilização dos amiibo?’. E Woolly World não faz feio nesse sentido. Aqui, assim como em Super Mario Maker (e muitos outros jogos), os amiibo liberam apenas skins para o personagem. Mas nesse caso, não são simples skins, são transformações incríveis feitas no design do adorável Yoshi de Lã. Alguns são bem assustadores, como os Inklings, mas mesmo esses são adoáveis. Outros, como Kirby, Rosalina, Bowser e Link vão fazer o jogador intensificar o ‘ooowwwnnn’ que já existe no jogo todo.

Todos os amiibo liberam skins para Yoshi, exceto os de Pokémon. Nenhum dos Pokémon recebeu versões de lã (não sabemos porque), mas eles podem ser escaneados, e vão liberar um Yoshi genérico escrito ‘amiibo’ no peito. Além das skins de amiibo, o jogo também possui transformações próprias, que são liberadas após cada fase, se você conseguir pegar os cinco novelos de lã que existe em cada uma delas. O Yoshi personalizado será temático da fase em que foi liberado, e são mais de 50. Yoshi Melancia, Yoshi Vaquinha, Yoshi de Cinzas, Yoshi de Nuvem, etc. Todos são adoravelmente macios e te desafio a completar o game todo com o Yoshi tradicional tendo tantas opções para escolher, sabendo que você pode completar o jogo todo com qualquer um deles.

Além das skins, escanear um dos Yarn Yoshi amiibo faz com que você ganhe um outro Yoshi para te ajudar na fase quando estiver jogando sozinho (ou atrapalhar, dependendo do nível de sua habilidade em controlar dois personagens ao mesmo tempo, que executam a mesma ação). O Yoshi tradicional (tanto o da linha Smash Bros. quanto o da linha Super Mario) irá liberar um Yoshi de plástico no jogo.

…E MUITA AVENTURA

O jogo tem uma duração relativamente curta, e é fácil se empolgar e terminá-lo em, mais ou menos, uma semana, com algumas poucas horas diárias de gameplay. Mas as fases em si são, em sua grande maioria, bem longas, assim como aconteceu em Tropical Freeze. Poucos mundos, mas com fases longas, criativas e inventivas. E os colecionáveis permitem que o jogo tenha uma vida mais longa. Não basta passar por tudo correndo e apenas uma vez. É necessário voltar várias e várias vezes e conseguir tudo o que se pode de cada uma delas. Algumas irão te entregar tudo de mão beijada, e na primeira vez os 100% daquela fase já estão garantidos, outras vão te fazer pensar, explorar, pesquisar, e queimar alguns neurônios até encontrar tudo o que existe escondido no jogo. Quem está acostumado a jogar Mario desde sempre, e já passou por todos os Yoshi’s Island, vai saber exatamente onde procurar.

Não é nada de surpreendente um jogo curto de Yoshi, então quem conhece a série de jogos solo do personagem sabe exatamente o que irá encontrar. Quem está se aventurando pela primeira vez, está sabendo agora. Mas como foi dito anteriormente, não se apegue apenas ao número de mundos ou fases, mas sim no que você irá encontrar dentro delas. E no final das contas, saber que o jogo tem mais de 50 fases já é um atrativo por si só. Não é necessariamente grande, mas não é algo que possa ser considerado pequeno.

100% MACIO

Yoshi’s Woolly World passou quase despercebido em um ano que, dentro da Nintendo, teve nomes fortes e jogos premiados como Splatoon e Super Mario Maker, ainda mais pelas discrepâncias entre as datas de lançamento em diferentes regiões: junho na Europa, julho no Japão e outubro nas Américas. Mas ele é um título forte do console e um jogo indispensável para quem acompanha a trajetória da Big N até hoje. Para quem curte um plataforma de qualidade, para quem aprecia um trabalho cuidadoso e bem feito. Para fãs de Mario e fãs de Yoshi. Para qualquer dono de Wii U. É um jogo que não tem contra indicações, e que dificilmente irá te decepcionar. Ele é um Yoshi’s Island em toda a sua essência, mesmo não fazendo parte dessa série especificamente, que conseguiu resgatar tudo o que ela tem de bom, e ainda criar sua própria identidade, podendo facilmente virar uma série própria. Um spin-off dentro do spin-off, porque nunca vamos nos cansar dos adoráveis Yoshis de Lã.

Jornalista.
Hylian.
Mas talvez seja um Kokiri.
…ou um Korok.