[REVIEW] Retorne ao terror com RESIDENT EVIL REVELATIONS COLLECTION

Resident Evil Revelations é uma sub-série dentro da franquia principal que tinha como objetivo resgatar a essência de Resident Evil, enquanto a série encaminhava para uma abordagem mais dinâmica, de ação, com RE5 e RE6, desagradando muitos fãs do terror que os primeiros jogos proporcionaram durante tanto anos. O resultado não podia ter sido mais satisfatório, uma vez que o primeiro jogo, lançado originalmente para o Nintendo 3DS, abusava do poder do portátil, logo nos seus primeiros anos de vida, e conseguiu trazer um jogo bonito visualmente, envolvente, assustador e que realmente buscava nas origens da série sua identidade, ao mesmo tempo que não perdia seus laços com o caminho que a franquia principal seguia na trama dos personagens que passamos a conhecer e nos preocupar durante todos esses anos.

Mas antes que essa sub-série pudesse ganhar sua esperada continuação, fomos presenteados com Resident Evil Revelations HD. Um jogo que já era esteticamente muito bonito, ficaria ainda mais com versões que acompanhavam a nova geração de consoles. E quando REvelations 2 desembarcou, a Nintendo não estava no melhor de seus relacionamentos com as desenvolvedoras thid-party, e o Wii U foi deixado de fora da brincadeira. Mas agora, com o lançamento de Resident Evil Revelations Collection, os donos de Nintendo Switch poderão usufruir de um dos melhores jogos da série, e de sua continuação que, apesar de não entregar o que se esperava em relação ao que o primeiro jogo foi capaz de fazer para a franquia Resident Evil, não chega a ser uma decepção, e soube trabalhar bem as relações de seus personagens, principalmente trazendo rostos que não víamos há alguns anos.

UM TOQUE DE IMERSÃO

REvelations começou no portátil, e isso é grande parte de seu apelo. Apesar das versões HD serem bonitas e interessantes, quem jogou no 3DS sabe que existe um apego maior por aquela versão. E agora, com o Nintendo Switch, é interessante ver que estamos revivendo este momento. Mas isso não é necessariamente uma novidade, umas vez que REvelations 2 pode ser encontrado no PSVita. A novidade está em trazer de volta estes dois jogos em plataformas Nintendo, com a facilidade de poder jogar onde e quando quiser, com desempenho das versões de console, misturando o melhor dos dois mundos.

Os dois jogos estão impressionantes no modo portátil. Texturas bem acabadas, rodam de maneira suave, só que existem alguns loadings que podem deixar algumas pessoas bem impacientes (por sorte eles não são tão frequentes). Mas de qualquer forma é gratificante ver como o Switch consegue portar os dois jogos com um desempenho espetacular, e oferecer uma experiência que não deixa nada a desejar, trazendo de volta a experiência mais pura que esses dois exemplares da série podem proporcionar dentro do gênero que ajudaram a criar, o Survival Horror.

No dock, os jogos foram projetados para oferecer uma imersão maior ao jogador, e tenta oferecer alguns diferenciais, como controles por movimentos, utilizando o joy-con para poder mirar e recarregar sua arma. Mas por ser um jogo portado, esses recursos deixam um pouco a desejar. A mira não é tão fácil de controlar quanto era em Resident Evil 4 no Wii com o Wii Remote, por exemplo. E isso se deve exatamente à extrema precisão de movimentos dos joy-cons. Jogos que não foram desenvolvidos para ele podem sofrer com movimentos involuntários e precisar de muita prática para funcionar de forma satisfatória.

Até o que foi desenvolvido para ele vai precisar de toda concentração do jogador, para que essa precisão extrema não funcione como um empecilho, e passe a trabalhar em função do jogador, como podemos ver nos controles de movimento de ARMS.

Quem estava acostumado com a mira de RE4 no Wii pode ter alguns problemas para mirar com o joy-con no Switch, mas recarregar a arma é um truque legal de se fazer, e com o tempo você se acostuma com a mira, caso queira jogar na TV e utilizar os controles de movimentos, que são totalmente opcionais neste caso [No Wii é opcional caso você use um Classic Controller].

MEU TERROR PORTÁTIL

Mas apesar de todas as funcionalidades dos joy-cons, da possibilidade de ver o jogo grande e bonito na tela da TV (o Switch não decepciona nesse sentido), é no modo portátil que os jogos vão brilhar, pelo desempenho que têm na tela do console, e por por permitir que você jogue onde estiver, quando você quiser. REvelations 2 em sua primeira passagem pela Nintendo é a parte nova nestes lançamentos. O jogo em si não traz texturas impressionantes, em qualquer versão ou em qualquer console que esteja, e no Nintendo Switch temos o game original em sua totalidade, sem downgrades, sem diminuição de texturas e sem queda de desempenho.

Quem já tem as outras versões de REvelations em qualquer um dos outros consoles não vai encontrar grandes novidades no game em si, é o mesmo jogo e cabe a cada um decidir se vale a pena ou não adquirir um game novamente em uma nova plataforma. A única diferença é que agora eles vêm com todos os DLCs, modos de jogo extras e todo o conteúdo adicional lançado (isso não apenas no Switch mas em todas as plataformas desse relançamento). O que o jogador vai encontrar no Nintendo Switch é uma versão portátil desses mesmos games que ele já jogou outras vezes, e na versão “console”, no dock, controles de movimento que oferecem uma imersão a partir do momento que você se acostuma com eles e aprende a dominá-los.

No modo portátil, os games também suportam touch controls, recurso que foi muito bem utilizado na versão HD do primeiro jogo no Wii U e facilita na hora de trocar de arma, acessar o mapa e realizar outras pequenas ações emergenciais enquanto o bicho está pegando (principalmente no primeiro jogo).

E será que vale a pena revisitar estes jogos que já estiveram em tantos consoles diferentes? Resident Evil Revelations Collection compreende dois dos melhores exemplares de toda a franquia, é envolvente e garante boas horas de intenso gameplay a quem decidir se aventurar, então os donos de Nintendo Switch e amantes de um bom survival horror não vão se decepcionar, quer você tenha ou não jogado algum dos dois jogos em alguma das plataformas que eles já tenham sido lançados.

Jornalista.
Hylian.
Mas talvez seja um Kokiri.
…ou um Korok.