[REVIEW] Lula ou criança? SPLATOON 2 é game obrigatório no Nintendo Switch

Para deixar aquela dúvida no ar, se você é uma criança ou uma lula, Splatoon 2 finalmente chegou ao Nintendo Switch. Sequência do sucesso de Wii U, o game é uma expansão de tudo que tivemos no primeiro, mas com muito mais conteúdo, diversidade e o mais importante, competitividade e conteúdo. Se estiver começando o game e buscando dicas para melhorar o desempenho nesse início, não deixe de conferir nosso guia com dicas para iniciantes.

Lá em 2014, quando foi mostrado pela primeira vez, Splatoon gerou um misto de desconfiança com interesse. Muitos jogadores estavam com um pé atrás em relação ao game, mas queriam dar aquela experimentada antes de se jogar de cabeça. E se jogar de cabeça foi o que muitos fizeram logo após testar o primeiro beta, em 2015. Dois anos depois e temos a sequência para a nova plataforma da Nintendo, o Switch. A primeira dúvida quando foi anunciada, em janeiro de 2017, é que se justificava uma sequência, ou se uma ver uma versão aprimorada do primeiro jogo, como rolou com Mario Kart 8 Deluxe já seria suficiente. Sim, a sequência é mais que justificada.

NÃO APENAS EXPANDE, DEIXA TUDO MELHOR

Já nas primeiras partidas fica evidente que a grande mudança se encontra no balanceamento de armas e habilidades. Se o primeiro game flertava com o competitivo, eSports e afins, Splatoon 2 abraça de vez a causa. Pequenos ajustes feitos no primeiro não seriam suficientes para alcançar a precisão necessária, inclusive, mexendo nas armas do game, que se tornaram mais justas.

TINTA PARA TODOS OS LADOS

Splatoon é um game cooperativo e competitivo de equipes onde eliminar o rival não é o ponto principal, porém, ‘Splatá-los’ evita que eles continuem pintando o cenário, e mesmo que não garanta a vitória, ajuda bastante. Uma reviravolta e tanto se considerarmos que a base do game é o tiroteio. Se antes de Splatoon alguém dissesse que teríamos um game de tiro onde eliminar os inimigos não contaria em nada para a vitória, ninguém acreditaria, não é mesmo? As armas de Splatoon servem tanto para pintar os cenários quanto para eliminar os rivais. Divididas em Principal, Secundária e Especial, cada uma tem uma função dentro da partida, e fornecem a diversidade necessária para um jogo do estilo. Todas elas são bem intuitivas e simples de usar, mas requerem um bom tempo do jogador para que as domine. Ao escolher o Roller pela primeira vez, por exemplo, a pessoa tem a percepção imediata de como a coisa funciona, pois consegue cobrir uma área grande de tinta de uma vez, elimina rapidamente qualquer um que entre na sua frente, mas não tem alcance distante e requer habilidade maior na hora de eliminar o inimigo por conta da sua lentidão. O contrário se diz das novatas Splat Dualies, que atingem uma distância maior, incluem um novo movimento de esquiva, mas precisam que mais tiros acertem o adversário.

As Secundárias trabalham um pouco a estratégia. Granadas, localizadores, sprays de tinta, bombas, minas entre outras, são usadas de várias maneiras. Deixar aquela mina em um ponto específico que inimigos passam é algo certeiro. Saber a posição dos rivais com o localizador é bem útil e pode fazer a diferença no final das contas. Jogar aquela bomba de tinta antes de partir pro confronto direto lhe dá algum dano de vantagem no combate. São inúmeras as possibilidades e tudo deve ser trabalhado em conjunto com a principal e especiais.

As armas especiais levam um tempo maior para recarregar e enchem conforme você pinta o cenário efetivamente. Elas são devastadoras, eliminando vários inimigos e pintando uma grande área do cenário de uma vez só. Até o momento, nenhuma do game anterior está de volta. A ideia claramente foi deixar as coisas mais equilibradas. Se antes um furacão atingia um enorme espaço de uma vez, agora os Tenta Missiles se encarregam de localizar e eliminar o oponente de forma mai precisa. A InkJet permite o jogador flutuar pelo cenário por conta de um jato de tinta nas costas e atirando uma espécie de Lança Granadas, consegue eliminar inimigos muitos inimigos próximos, porém é preciso um bom controle da posição e uma boa mira. A Bubble Blower é eficiente em acertar vários jogadores em torno dela, mas requer atenção e agilidade. Todas essas habilidades são destrutivas e eficientes, porém, podem te deixar vulnerável por um tempo, portanto, é recomendado utilizar dentro de um raio de segurança.

SE ATREVE A JOGAR O MODO RANKEADO?

A grande emoção de Splatoon se encontra nos modos Rankeados. Um verdadeiro teste pra cardíaco. No momento existem três modos, todos vindo do primeiro game, mas adaptados pra nova realidade mais balanceada do game. São eles:

– Tower Control: Vamos tirar esse logo do caminho. No meio do cenário existe uma torre. Quando alguém de algum dos times sobe nela, começa a se movimentar em direção ao lado do time rival. Quem chegar AO objetivo primeiro ganha por KnockOut, ou, se o tempo acabar antes, ganha quem conseguiu se aproximar mais do ponto final. Naquele esquema de ‘bagunça organizada’, a torre passeia de mão em mão durante a partida, deixando qualquer jogador desesperado a cada vez que aparece que ‘perdemos a torre’ na tela. A mudança aqui, em relação ao game anterior está nos Checkpoints. Antes era preciso ter alguém do time no alto da torre para que ela continuasse até o final. Agora, após alcançar um ponto de controle, e permanecer lá por alguns segundos, esse local é desbloqueado. Se os adversários a levarem pro outro lado, você consegue fazer a torre voltar ao seu checkpoint sem a necessidade de alguém em cima dela, é preciso apenas escalar e garanti-la para seu time.

– Splat Zones: Um dos modos mais celebrados no primeiro game retorna quase intacto. Em algum ponto do cenário existe uma zona que precisa ser totalmente preenchida com a sua cor. Quando conquistada, uma contagem regressiva de 100 segundos é iniciada. Mantenha o controle até o final e ganhe. Quando o time adversário tira seu controle e preenche com as cores deles, a coisa desanda. É preciso colorir de volta antes que o tempo acabe, mas dessa vez, o tempo para que seu time saia vencedor aumenta um pouco, deixando a disputa ainda mais urgente.

– Rainmaker: O modo preferido de quem vos escreve. É divertido e caótico. No meio do cenário existe a arma Rainmaker. É preciso estourar o escudo que a protege, coletar e leva-la para a base no lado inimigo. Ao perdê-la, é preciso novamente estourar o escudo. Rainmaker, como uma arma que é, pode eliminar os inimigos de forma devastadora, porém, é extremamente lenta. É preciso cautela ao acioná-la. Ganha por KO quem conseguir chegar ao outro lado com a arma, ou, quando o tempo acabar, quem conseguiu se aproximar mais do objetivo final.

VOCÊ É UM GAROTO OU GAROTA?

Os personagens do jogo são sempre os mesmos. As pequenas personalizações que podem ser feitas garantem aquele ar de customização, inclusive as roupas usadas servem tanto pra deixar tudo mais estiloso, quanto pra melhorar habilidades e resistências.

Sendo possível regular desde a sensibilidade da mira e câmera. Até as habilidades, que antes eram distribuídas randomicamente, agora podem ser definidas uma a uma, mesmo que não de uma forma totalmente livre, permite uma customização maior e melhor. A adição de tickets que fornecem mais pontos de experiência, ou aumentam as chances de conseguir certos benefícios, dando maior liberdade para os jogadores em decidir como avançar, faz parte da dinâmica de transformar Splatoon em um game mais justo em suas partidas.

PINTANDO MELHORIAS POR AÍ

Justo que não quer dizer perfeito. Existem muitas melhorias a serem feitas, como os Tri-Sloshers, que estão causando um dano maior que deveriam, ou a latência que insiste em assombrar os jogadores, porém a Nintendo está realmente comprometida com a causa e desde o lançamento, duas atualizações foram distribuídas justamente para amenizar esses problemas, e é bem certo que teremos mais nos próximos meses.

Atualizações frequentes fizeram parte do dia-a-dia dos jogadores do primeiro game, coisa que deu muito certo. Ao invés de jogar todo o conteúdo do game na cara do jogador, a Nintendo preferiu disponibilizar aos poucos por meio de DLCs gratuitas, permitindo que a comunidade esteja sempre viva e interessada, que novidades sejam sempre adicionadas e o mais importante, os gamers se acostumem e conheçam todas as possibilidades que Splatoon 2 oferece aos poucos e evolua com isso. Recentemente a diferentona Splat Brella foi adicionada.

À PROCURA DE UMA OPORTUNIDADE DE EMPREGO

Já no pacote inicial temos a divertida campanha e um modo inspirado no ‘Horde Mode’ de Gears of War, exclusivo do Xbox, o Salmon Run. Em um cenário específico, quatro jogadores devem enfrentar várias hordas inimigas e colaborar entre si para eliminar os chefes e conseguir um número específico, ou maior de Golden Eggs antes que o tempo acabe. Cada chefe possui um jeitinho todo especial de ser eliminado, e saber utilizar a arma que lhe é dada aleatoriamente é a chave pra conseguir sucesso. Alguns tem mais facilidade de serem derrotados com as Splat Chargers, espécie de Sniper no game, enquanto outros são facilmente vencidos com granadas. As estratégias mudam conforme a necessidade do momento e tudo precisa ser decidido rapidamente, garantindo aquele desespero básico que toda partida de Splatoon 2 consegue proporcionar. Uma delícia de modo. Uma pena não estar disponível o tempo todo. Assim como os mapas e modos ranqueados, Salmon Run faz parte da rotação do game e está disponível apenas em dias e horários específicos. É preciso ficar atento.

VAI UMA CAMPANHA FRESQUINHA AÍ?

O modo campanha serve a dois princípios. Ensinar iniciantes as várias possibilidades de uso das armas, cenários e mecânicas, e o principal, divertir bastante. O objetivo aqui é resgatar os ZapFish, fonte de energia de Inkopolis, cidade onde vivem os Inklings, personagens do jogo, que foram roubados por algum vilão maligno. Curiosamente, você descobre que Marie, vencedora do último Splatfest do primeiro game, além de ídolo da galera, é uma agente especial que recebeu a missão de salvar a cidade. Cabe a você então, ajuda-la nessa tarefa. Graficamente lindo, com texturas bem acabadas, efeitos coloridos e bonitos, o visual salta aos olhos. Como se não bastasse, as fases são muito bem construídas e oferecem um desafio ímpar. Localizar todos os segredos e extras requer muita habilidade e paciência, pois nem tudo está evidente por ali. Novidades foram adicionadas, como a possibilidade de surfar por fios de tinta e atirar enquanto isso, lembrando o excelente exclusivo de Xbox ONE, Sunset Overdrive. Sheldon, fornecedor de armas do jogo, pede sua ajuda para testar as novas armas e com isso, surge a possibilidade de usar diferentes arsenais em uma mesma fase, o que adiciona áreas e locais que só podem ser acessados com certas habilidades, aumentando assim o fator replay. Sem contar que cada uma pode ser evoluída, ou seja, separe bastante tempo para brincar nesse modo. As batalhas contra os chefes são um show à parte, necessitando o uso de lições aprendidas durante o gameplay.

QUE TAL UM EMARANHADO DE FIOS?

Como nada nessa vida é perfeito, vale ressaltar alguns probleminhas que encontramos no caminho do jogo. A começar pela falta de um chat online integrado. Em partidas abertas, o chat não faz falta nenhuma, mas com os amigos pode ser, além de decisivo, divertido. A solução encontrada pela Nintendo, que conecta o jogo via cabos a um aparelho celular e um dispositivo extra é no mínimo confusa. A presença de um um sistema pra bater papo com seus parceiros de equipe ali dentro do jogo seria bem mais prático e útil. Existe o sistema online da Nintendo que será oferecido gratuitamente durante o ano de 2017, mas em 2018 será cobrado uma taxa anual de 20 dólares. O primeiro game a aparecer no sistema é justamente Splatoon 2 e é bem legal. Com estatísticas do jogo, que vão desde as mais sérias e importantes para os jogadores, até as mais divertidas, que ligam o universo do game ao mundo real, o App de Smartphone é bem completinho, mas não tão eficiente para resolver a questão do chat de voz, que pode ser substituído pelo Skype, por exemplo. Como está tudo em um momento inicial, existe espaço para melhorias e é bem certo que elas vão aparecendo.

ESTÁ PRONTO PARA IR ATÉ O FIM?

Outro pequeno probleminha, que não chega a atrapalhar, mas seria legal se tivesse, é a possibilidade de sair do game enquanto a partida está sendo montada. É uma característica do primeiro jogo e que volta na sequÊncia. Se você selecionar um modo de jogo e o matchmaking está rolando, não é possível abandoná-lo. Caso você desligue o console, ou entre no menu Home, a conexão é perdida e isso pode prejudicar suas estatísticas online, pois após algumas quedas de conexão, o sistema pune o jogador o impedindo de participar de novas partidas online por alguns minutos. Então, tenha certeza que estará disponível para jogar até o fim quando iniciar um jogo.

Durante a partida, é inevitável que alguns jogares caiam por algum problema de conexão. Isso acontece em qualquer jogo online e nem sempre depende dos servidores do game. Em Splatoon 2, um jogador que saiu por algum motivo, não é substituído durante a partida por alguém que esteja na fila de espera, resultando em uma desvantagem para o time desfalcado. Aconteceu de ter partidas de quatro jogadores contra apenas um, pois o restante do time caiu. Felizmente, quando isso acontece, o jogador não perde tantos pontos no ranqueado. De novo, são apenas pequenos detalhe que não estragam em nada a experiência, mas que seria bem legal se tivessem disponíveis.

UM DOS MELHORES JOGOS DO ANO

Caótico, emocionante e principalmente, divertido, Splatoon 2 expande tudo que o primeiro game tinha de melhor e adiciona novidades que deixaram as coisas mais justas e competitivas. Com um modo campanha mais robusto, modos cooperativos de hordas de inimigos e um multiplayer online viciante, o game oferece um dos maiores conteúdos de todos os jogos disponíveis no Nintendo Switch, se tornando assim mais que obrigatório para quem possui o console.