[REVIEW] A improvável mistura de MARIO + RABBIDS KINGDOM BATTLE tornou-se indispensável

Desde que o jogo era apenas um rumor, que foi anunciado pela primeira vez por Laura Dale, Mario + Rabbids Kingdom Battle parecia uma fusão improvável no Nintendo Switch, mas que, quando se toma um tempo para pensar e analisar friamente o que levou à existência desse jogo e como ele foi concebido em sua versão final, não tinha a mínima chance de dar errado.

E nesse Review a gente explica por que.

Mario é um personagem muito versátil dentro da Nintendo, ele salva o Mushroom Kingdom, corre de Kart, joga Golf, Tennis, Futebol, participa de aventuras RPG com seu irmão Luigi, até em papel. Os Rabbids são uma das mais carismáticas e divertidas criações da Ubisoft, e por mais que ela tenha saturado essas criaturas, há algum tempo eles não dão as caras em um jogo, então tivemos uma pausa para descansar a cabeça de suas bobeiras, e voltar a acha-los engraçados, divertidos e carismáticos.

E quando você junta essas duas franquias, você tem o carisma do personagem mais famoso da história dos games e o frescor do humor ácido e inocente dos Rabbids. E é aí que o jogo não podia dar errado de jeito nenhum, não importa qual fosse seu formato. E então a Ubisoft escolheu um estilo que é capaz de trazer uma novidade a tudo o que Mario já viveu até hoje, e aproveitar ao extremo a bagunça que os Rabbids proporcionam e deixar o jogo extremamente engraçado e desafiador, evitando que se transforme apenas em um crossover bobo em um jogo de qualidade duvidosa. O RPG Tático.

BELEZA QUE SE VÊ… E SE SENTE

E se tem uma coisa que ninguém jamais vai questionar em Mario + Rabbids Kingdom Battle é a qualidade. Em um primeiro momento, a qualidade visual/gráfica do jogo. Criado na engine Snowdrop, a mesma de The Division, o jogo impressiona pelas cores saturadas (que funcionam sempre muito bem no universo de Mario), pelos cenários cheios de vida, pelo brilho que os personagens emitem, pelos efeitos de luz e sombra que são aplicados nos diversos cenários do jogo. Tudo é extremamente colorido, vivo. Redondo quando precisa ser redondo, quadrado quando precisa ser quadrado, com texturas que chegam a ser palpáveis. Existe um cuidado de detalhes que sabemos que a Ubisoft emprega em seus jogos (mesmo nos mais problemáticos) e que correspondem ao padrão de qualidade imposto pela Nintendo em suas IPs.

E a qualidade do gameplay é acima da média, criando uma curva de aprendizado no jogo que é essencial para quem está iniciando no RPG tático, ao mesmo tempo em que apresenta desafios dignos de quem já está nesse ramo há muito tempo e quer realmente ser desafiado pelo jogo. A dificuldade do jogo escala muito rapidamente, mas não deixa o jogo impossível. Ele te ensina como deve ser feita uma partida tática antes de te desafiar propriamente, transformando a experiência em um aprendizado, mas sem se tornar maçante para quem já sabe o que está fazendo, para quem já veio de experiências anteriores com o RPG tático.

DIVERSÃO INTELIGENTE

Ah, mas então Mario + Rabbids é só uma bagunça dos Rabbids e do Mario… e o que mais? Muito mais.

O jogo possui uma trama inesperada, que não apenas faz sentido em seu próprio elemento, mas serviu perfeitamente para poder juntar estes dois mundos. Não iremos entrar em detalhes para não estragar a surpresa de quem for jogar. Mas existe uma história no game, um desenvolvimento de personagens que amplia esse conceito de apenas fundir duas franquias, mas as conecta naturalmente, organicamente, envolvendo o jogador para que ele não se sinta apenas jogando um jogo qualquer, mas vivendo uma aventura que tem muitos frutos para tomar continuidade no futuro.

Além disso, as piadas do jogo, envolvendo os Rabbids, ou o alterado robozinho Beep-0, são inteligentes e pontuais, criando momentos memoráveis durante o gameplay, sem apenas ser coelhos malucos gritando e correndo para todo lado. Uma vez que existem versões Rabbids de todos os personagens principais do jogo (Mario, Luigi, Peach e Yoshi), a importância dos coelhos para a trama faz com que isso vá além do que eles eram em Rayman Raving Rabbids, por exemplo.

Durante as partidas, você tem direito de lutar com três dos oito personagens, mas Mario tem que estar sempre à frente do time, até para que a trama faça sentido. Então apenas dois dos personagens podem ser trocados. Mas ao andar de uma partida para outra, explorando o extenso mundo do jogo, você não controla nenhum dos personagens, mas sim Beep-0, um robozinho que é parte importante da história que é contada no começo, e precisa ajudar os heróis para que ele também consiga alcançar um objetivo. Mas ele não é dos mais bem-humorados e sua boca suja gera alguns momentos interessantes e divertidos. Durante as batalhas sim você irá controlar cada um dos personagens, para utilizar as armas, os ataques de curto alcance e os especiais para poder estabelecer sua tática de vitória.

Existe um leque de possibilidades muito grande durante as batalhas, que nunca deixa o jogo ficar cansativo ou repetitivo. Dezenas de armas, especiais, variações entre cada um dos personagens, upgrades, ataques corpo-a-corpo, tudo sendo utilizado em conjunto, uma vez que em batalhas táticas é normal que a quantidade de inimigos seja bem maior do que a de aliados, então o jogador deve sempre pensar duas rodadas à frente, tentando adivinhar os movimentos dos inimigos e utilizando o que possui a seu favor.

MÚSICA (BOA) PARA NOSSOS OUVIDOS

Como se o jogo já não fosse tomado por pontos fortes, um dos maiores deles está em sua trilha sonora. Composta por ninguém menos que Grant Kirkhope (que dispensa apresentações, mas é responsável por trilhas memoráveis como Banjo-Kazooie/Tooie, Star Fox Adventures e Castle of Illusion), as músicas do jogo funcionam a favor do gameplay, oferecendo uma imersão em cada um dos mundos do jogo, e o nível correto de tensão em cada uma das batalhas. São composições que ficam na cabeça após desligar o jogo, e são essas que se tornam memoráveis com o passar do tempo. Tudo é conduzido de forma magistral, nas mãos de um dos compositores mais competentes da indústria.

VIDA LONGA A ESSA MISTURA CURIOSA

O jogo passa uma ilusão de ser curto, pois é dividido em poucas partes, mas os ambientes a serem exploradas em cada uma dessas áreas são bem extensas, exatamente como aconteceu com Tropical Freeze. E também existem missões paralelas, colecionáveis, áreas secretas, que aumentam a vida útil do jogo para quem gosta de completar 100% de uma boa aventura. Mas ele é tão envolvente e divertido que, mesmo que tendo um tamanho satisfatório, vai deixar um gosto na boca de quero mais. E teremos mais, porque ele foi lançado com um Season Pass, que irá adicionar conteúdo inédito de história em 2018. De qualquer forma, ele é um jogo completo sem o DLC, não passa a impressão de que foi cortado para que parte de seu conteúdo pudesse ser vendido separadamente. Caso esses DLCs não existissem, ele conseguiria se sustentar como uma aventura própria, inteira, satisfatória.

Assim como aconteceu com Mario & Luigi e Paper Mario, tudo o que podemos esperar é que Mario + Rabbids se torne mais uma franquia de sucesso e gere mais frutos, porque é uma forma menos cansativa de explorar os Rabbids, ao mesmo tempo que oferece uma nova aba ao já extenso leque de spin-offs de Mario, aumentando a variedade de IPs e formas de se jogar Mario dentro da Nintendo.

Mario + Rabbids Kingdom Battle é um título indispensável para donos de Nintendo Switch, independente de qual seja seu estilo, independente do seu nível de experiência com RPG Tático. É uma aventura poderosa e inesquecível, que precisa e deve ser vivida por todos os proprietários do console, pois ela dificilmente deixa a desejar, se transformando em uma das maiores surpresas dessa geração, e sem dúvida alguma, uma das melhores.

Jornalista.
Hylian.
Mas talvez seja um Kokiri.
…ou um Korok.