O potencial de personalizar, criar e educar do NINTENDO LABO

O Nintendo Labo está chegando em abril como uma das novas criações da Nintendo. Uma proposta diferente de tudo o que a empresa já fez até hoje, mas que respira a essência da Big N, uma vez que isso é o que ela sabe fazer de melhor. Criar, inovar, apresentar algo totalmente novo, inesperado. E acho que inesperado é a palavra certa para definir o Labo. Ninguém podia imaginar que a Nintendo iria trazer pedaços de papelão para montar que iriam interagir com o Nintendo Switch fazendo uso total de todas as funcionalidades dos joy-con.

Agora, algumas semanas depois, ela decidiu divulgar três vídeos maiores com muito mais informações, algumas que a gente já sabia e outras que são novidades. Sobre o funcionamento, sobre os jogos, sobre a personalização dos kits que já foram revelados [porque sim, haverão mais, e estamos curiosos e ansiosos para ver quando ela vai utilizar suas próprias IPs dentro dele]. E vamos falar um pouco sobre essa tecnologia toda que existe por trás desse projeto. E o potencial que ele tem de personalizar, de criar, e principalmente de educar.

Sim, educar.

Com o Nintendo Labo, a Nintendo entrou em uma nova área, a da educação. O produto é extremamente educativo para as crianças, que são o público alvo principal desse novo material. Ele estimula a criatividade, o desenvolvimento, mas não apenas na parte da montagem. Ele permite que os usuários realmente criem seus próprios jogos, através de pequenas personalizações dentro do próprio game, dentro do que já vem pronto no kit+jogo de cada pacote do Labo. O vídeo mostra que o Nintendo Labo ensina, através da tela do Switch, como cada kit deve ser montado. Até aí nenhuma novidade. Mas ele também mostra como aquilo realmente funciona. Como a tecnologia usada em cada um deles entra em ação, ele mostra o que existe dentro de cada pequena parte daquele projeto, e como o joy-con faz aquilo funcionar. Existe um ‘por trás das cortinas’ que tem o intuito de ensinar e de educar sobre o processo de criação de jogos. E isso vai ser útil e extremamente educativo para as crianças que estarão em contato com esse matrial, mas pode ir muito além. É iminente e inevitável que o Labo comece a ser utilizado para ensinar novos desenvolvedores no processo de criação de um jogo. Não existe dúvida alguma que a Nintendo o criou para ser uma base no aprendizado de criação de jogos. Para crianças, jovens e adultos. As crianças são sim o público alvo do Labo, mas ele é um material para que todos possam aprender e criar juntos.

 

Os conceitos de personalizar, criar e educar se misturam muito bem. Não existe um ponto específico que possa ser vinculado única e exclusivamente a cada um deles. No kit da casinha, por exemplo. Veremos um adorável bichinho que precisa ser cuidado. E você muda os cenários, acrescenta itens à pequena casa dele, e dessa forma modifica em como ele interage com o ambiente e com você. Isso mostra bem a personalização do jogo, com peças que podem ser trocadas, substituídas, e cada uma delas age de forma diferente, apenas sendo meros pedacos de papelões, porque cada uma delas vai fazer uma utilização diferente de uma das milhares de funcionalidades do joy-con. Câmera, giroscópio, vibração [HD Rumble]. E a partir do momento em que a Nintendo exemplifica ao jogador como isso funciona, ela já está educando sobre o desenvolvimento dos jogos que ela passou todos esses anos nos proporcionando, e agora ela permite que nós possamos criá-los também. Não que ela nunca tenha feito isso, Super Mario Maker estava aí na geração passada para permitir a criação, mas o Labo é um gigantesco passo à frente nesse sentido.

E quando você pensa que um dos kits ‘é o mais completo e tem mais coisas para fazer’ aparece outro e te surpreende com coisas que nem podíamos imaginar. O piano permite que você crie músicas, mude as notas, os tons. Existe um botão de reproduzir e outro de gravar, e uma roleta que altera totalmente as notas. O kit ainda possui pequenas partes encaixáveis que funcionam como partituras, e você transforma o joy-con em uma batuta, conduzindo sua própria orquestra.

A casinha permite dezenas de personalizações de cenários, de itens, e estamos bem curiosos para saber se o bichinho precisa ser cuidado, no melhor estilo Tamagotchi. Existe um universo de possibilidades dentro daquela pequena casa de papelão [e fora também, porque todos os kits podem ser personalizados externamente com adesivos, com tinta, ou qualquer outro material que sua imaginação permitir]. E quando falei que a Nintendo pode no futuro fazer utilização de suas próprias IPs para criar novos kits do Labo, é porque não tem como não associar essa pequena casa cheia de personalização e cuidados com Animal Crossing. E queremos pensar que um dia poderemos criar pequenos ambientes de Animal Crossing dentro dessa casinha, e isso interagir de alguma forma com um jogo principal da série para o Switch. Como eu disse: as possibilidades são, literalmente, INFINITAS.

 

Em Super Mario Odyssey tivemos uma pequena amostra do que é utilizar o HD Rumble para pescar de forma eficiente, e inclusive reconhecer os diversos níveis de vibração para sabermos se o peixe que íamos pegar trazia um prêmio ruinzinho [1 moeda], mais ou menos [várias moedas] ou o grande prêmio [Moon]. Com o Labo, a pescaria se transforma em um experiência totalmente imersiva, que ultrapassa todos os limites do ‘pescar com controles de movimento’. A interação não apenas dos joy-con mas de todo o set com a tela é de encher os olhos. Uma imersão total e sem precedentes em mini-games de pescaria, que já estamos tão habituados depois de jogar tanto em Zelda e em Animal Crossing.

 

E então chegamos no kit que monta a moto [ou parte dela]. A engine de Mario Kart 8 está ali na criação das pistas, e é bem peculiar e fácil de reconhecer. Utilizar os controles de movimento é bem interessante quando se está jogando um jogo de corrida. Mas utilizar com essa estrutura é uma experiência totalmente única e bem diferente dos volantes que já estamos acostumados desde o Wii. E mais uma vez, sobre as IPs, não tem como não imaginar isso em utilização em um possível Mario Kart 9. Assim como todos os volantes que já existem são opcionais, esse kit em especial do labo seria um excelente opcional para quem gosta de utilizar as motos em Mario Kart [eu]. Mas não é só movimento, não é só virar para fazer as curvas. O kit permite utilizar a câmera do joy-con para escanear objetos e criar arenas que você pode explorar com sua moto, e utilizando a minibike você cria as próprias pistas apenas com o movimento, podendo personalizá-la depois. Mais uma vez: POSSIBILIDADES INFINITAS.

 

E existe o Robot Kit, que vem em um kit totalmente separado, porque é uma experiência totalmente diferente das outras. O kit permite a montagem de uma estrutura que transforma o jogador no robô. E copia seus movimentos para o jogo. É o Project Giant Robot de Miyamoto ganhando vida nova de uma forma mais criativa e divertida de se fazer. E dessa vez fomos capazes de conhecer melhor como é o jogo que vem com ele, e todas as possibilidades que ele oferece.

Voar, se transformar em carro, crescer, diminuir, destruir tudo o que está em seus caminho, derrotar inimigos, chefes, multiplayer com amigos. Tudo isso está no leque de alcance do jogo do Robot Kit. Mas a maior parte da diversão e do aprendizado está em montar esse protótipo todo, e assim como acontece no Variety Kit, entender e estudar como ele funciona, quais recursos dos joy-cons ele utiliza para dar vida ao robô. Existe uma curva de aprendizado que vai da montagem do papelão até o funcionamento do jogo, e isso cria um produto completo e cheio de recursos que vai muito além da experiência de apenas jogar, mas funde de uma forma muito orgânica o jogar com aprender, e também com ensinar. Porque o objetivo é que as crianças que forem utilizar o Labo montem os kits com seus pais, irmãos, amigos. E isso vale para os adultos também. 😉

Aprender e ensinar é uma via de mão dupla. Crianças aprendem com os adultos mas também podem ensiná-los. Se os pais não estão tão envolvidos na vida dos filhos em relação aos jogos, o Nintendo Labo tem essa função, de aproximar, de criar esse vínculo. É sem dúvida alguma um dos projetos mais ambiciosos e criativos da Nintendo, e que não apenas promete, mas que já cumpre todo seu objetivo, mesmo que ainda não tenha tido todo o seu potencial explorado, porque esses dois kits são apenas o começo, e o que está no horizonte, o que o futuro reserva para o Nintendo Switch é no mínimo muito curioso e inegavelmente promissor.

Jornalista.
Hylian.
Mas talvez seja um Kokiri.
…ou um Korok.