[NINTENDINHO] BOMB CHICKEN requer muita habilidade, precisão e paciência

Após desenvolver games para celular e navegadores de computador, a inglesa Nitrome decidiu entrar de cabeça no mundos dos jogos para console e já começou com tudo. Mostrado com destaque pela Nintendo na apresentação Nindies 2018, Bomb Chicken chamou a atenção de muitos jogadores pela proposta inusitada e aparentemente muito divertida. Sabemos que fazer parte dessa seleção de jogos não é fácil, portanto, já esperávamos algumas qualidades do título.

BOMBERFRANGO

Após um acidente em uma fábrica de alimentos artificiais feitos com carne de frango, uma galinha despertou de forma diferente. Capaz de botar bombas no lugar de ovos, ela foi convocada por ancestrais e enviada como heroína. Cabe ao jogador guiá-la nessa jornada em busca da liberdade dos animais.

A aventura se passa dentro de uma pirâmide, onde funciona a fábrica da BFC (não confundir com KFC). Ao avançar, é possível ver que o lugar esconde muitos segredos atrás de cartazes e propagandas incentivando o consumo dos alimentos produzidos ali. Como toda boa direção de arte, os cenários contam a história sem precisar de longos textos e explicações. Porém, narrativa não é o que se tem em mente quando se joga algo tão único quanto Bomb Chicken.

Cartazes contam a história, como esse que da indícios de como nossa heroína foi criada

SALVE-SE QUEM PUDER…

A mecânica do jogo tenta inovar com criatividade. Incapaz de voar ou pular, nossa protagonista utiliza as bombas que bota para se locomover. Utilize os direcionais para andar para os lados e um dos botões do lado direito do controle para botar uma bomba. A quantidade é limitada ao teto da fase. Muitas vezes o topo esta repleto de armadilhas, portando é preciso calcular seus movimentos. Chegar ao final das fases não é o suficiente para concluir o jogo, que exige que jóias azuis sejam coletadas e que funcionam como oferenda para os ancestrais.

Misturando plataforma com o estilo de Bomberman, é fácil se ver encurralado por suas próprias bombas. A grande variedade dos inimigos se reflete em diferentes formas de derrotá-los. Funcionários dorminhocos são tranquilos de eliminar, mas membros de uma tribo nativa estão alertas e prontos para lhe atacar a qualquer momento. Plantas saem do chão e renascem ao serem derrotadas, causando ainda mais preocupação ao caminhar.

Calcular os movimentos é essencial para não receber um golpe de sua própria bomba

FÁBRICA DE ARMADILHAS

É preciso também ficar atento ao arredores. Mais destinadas a eliminar quem tente escapar da fábrica do que produzir alimentos, as armadilhas são extremamente perigosas e somadas aos inimigos, causam dor de cabeça ao jogador. Serras, metralhadoras, disparadores de dardos e até mesmo o molho produzido pela fábrica que entra em combustão quando em contato com as bombas, deixam tudo mais complexo. Saber o que fazer pode levar algumas horas e muitas tentativas.

O desafio do game é crescente. Nas primeiras fases o level design faz um belo trabalho em ensinar como funcionam as armadilhas e a melhor maneira de atravessá-las usando as bombas. Ao prosseguir para níveis mais avançados, o jogo passa a cobrar todo o aprendizado anterior, muitas vezes de uma só vez, e é onde a coisa ganha novas proporções.

MISTURAR PRECISÃO COM AGILIDADE REQUER PACIÊNCIA

Agir com precisão e cautela podem parecer elementos de games de espionagem, porém ganham novos significados em Bomb Chicken, que requer o uso dessas habilidades em meio ao caos causados pelas bombas, inimigos e elementos dos cenários. Calcular seus movimentos é mais que essencial, mas precisa ser feito antes que as bombas explodam ou plataformas desabem, por exemplo. A adrenalina é constante e pode muitas vezes frustrar por sua enorme dificuldade. Chegar ao final das fases requer paciência acima de tudo, o que pode afastar muitos jogadores antes do fim do game.

Além dos quebra-cabeças das fases, o game conta com alguns chefes pelo caminho que requerem ainda mais atenção e agilidade.

VIDAS AUMENTAM, A DIFICULDADE TAMBÉM

A vida da nossa heroína é limitada a corações. Começando com três, cada tentativa vale um deles. Completando a quantidade necessária para conseguir uma oferenda, o game lhe concede um novo coração e o nível de dificuldade também sobe. Mesmo com mais de cinco corações, é certo que a tela de Game Over será vista muitas e muitas vezes antes de concluir o game inteiro. Quando se perde uma vida, a galinha volta ao desafio que não conseguiu atravessar, mas perdendo todas, o nível todo incluindo aquele desafio que levou um bom tempo para passar, precisa ser refeito. A sensação de frustração é grande.

PIXEL ART E CRIATIVIDADE

O visual do game é baseado na já muito utilizado Pixel Art, porém se destaca pela criatividade. A representação da pirâmide como uma fábrica de alimentos ultra processados é divertida e bem feita. Os inimigos são bem desenhados e conferem a ideia certa do que são. Cruzar com caveiras nos dá a ideia que aqueles seres são mais perigosos do que uma larva dormindo. A já mencionada direção de arte é impecável e coerente. O tema tribal é recorrente e combina com toda a proposta. Uma pena que a trilha sonora seja tão limitada e repetitiva. Músicas alternadas e variadas poderiam deixar a aventura ainda mais atraente.

Boa sorte ao atravessar essa tela, vai precisar… muito

Divertido em suas horas iniciais, Bomb Chicken pode ser extremamente frustrante a partir de sua metade. Atravessar os desafios requer muita habilidade e agilidade além de cautela e precisão. A tela de Game Over traz um gosto amargo para quem passou horas tentando vencer um obstáculo sem sucesso. Para compensar, a direção de arte e level design eficientes conferem uma boa narrativa e mesmo que a paciência tenha acabado, o jogador volta para tentar avançar e continuar acompanhando a fuga da Galinha dos Ovos de Bomba.

Bomb Chicken está disponível para PC através da Steam e Nintendo Switch.

A análise foi feita na versão de Nintendo Switch, gentilmente cedida pela Nitrome.

Revisão: Angelo Mota