Entendendo a proposta do NINTENDO SWITCH

Quando a Nintendo revelou o Nintendo Switch em um curto, mas instrutivo, trailer de pouco mais de três minutos, muita gente ficou em dúvida em qual era a real proposta daquele console que também é portátil.

Por mais que a versão final do aparelho fosse exatamente o que já havia aparecido de rumores na internet, e o trailer seja o mais claro possível, ainda gerou certo nível de confusão e desconfiança em muita gente. E mesmo que o aparelho ainda não tenha sido anunciado oficialmente com todos os seus recursos e jogos (isso será feito agora dia 12), já podemos ter uma boa noção de qual é sua proposta, e hoje vamos falar sobre isso para esclarecer qualquer dúvida que ainda tenha restado.

A chegada do console coincidiu com a entrada da Nintendo no mercado mobile, e o formato do Switch, que sem os joy-cons lembra um tablet, ajudou para que muita gente acreditasse que a proposta era essa. Entrar no mercado de smartphones e tablets e concorrer diretamente com esses aparelhos. Mas é aí que está o principal erro de entendimento do Nintendo Switch.

A intenção não é concorrer com o mercado mobile. Os lançamentos para esse mercado, como Super Mario Run, servem sim para buscar esse público e inseri-los nas franquias da Nintendo, e com isso, trazer esses novos jogadores para os consoles. Mas até aí, o Switch não tem parte alguma nisso. Todo esse processo é feito apenas com os jogos mobile, em aparelhos que não foram criados pela Nintendo (iOS e smartphones com Androids). Uma vez que esses jogadores chegarem aos consoles, eles vão conhecer um novo mundo, um novo formato de se jogar com o Switch.

Dessa forma, o Nintendo Switch não será um console para jogar Super Mario Run e Miitomo na televisão. Mas sim para jogar os grandes jogos que você gosta (Novo Super Mario, Mario Kart 8, 9, Splatoon, The Legend of Zelda: Breath of the Wild, e tudo mais que vier) em qualquer lugar.

A parceria da Nintendo com a DeNA é para a criação de jogos mobile, elas inclusive desenvolveram Mario Run já dentro dessa parceria. Quando os parceiros do Switch foram anunciados, a DeNA estava na lista, mas não para a criação de jogos, não para portar ou criar jogos em formato mobile no Switch, e sim para cuidar da rede online da Nintendo, porque a DeNA tem conhecimento no assunto e é ela que fará todo o processo de implementação e manutenção da rede nos jogos que a Nintendo irá lançar para dispositivos móveis. Portanto, ela fará o mesmo no Switch. Representantes da própria empresa já disseram que não existem planos para o desenvolvimento de jogos no console, mas sim apenas para criação de conteúdo mobile. O que já vai dar um bom trabalho para eles, uma vez que a Nintendo já tem outros projetos em andamento no mercado mobile, como Animal Crossing e Fire Emblem.

Lembra quando eu disse que o trailer do Switch era curto, porém instrutivo? Pois é ele que dá as maiores dicas do posicionamento da Nintendo em relação ao aparelho. Ela não vai abandonar suas franquias fofas, seus jogos de lã, de massinhas, não vai deixar de ser uma empresa que cria jogos para a família. Mas ficou claro que existe um direcionamento mais voltado para adolescentes e adultos. A busca pelos fãs de jogos como Skyrim, pelo retorno de séries que brilharam na empresa, como Resident Evil, Final Fantasy, e (o que é muito positivo) levar suas franquias competitivas para o sempre crescente mercado de eSports. ‘Tudo isso em um trailer de 3 minutos, sem fala alguma?’ Sim, tudo isso em um trailer de 3 minutos sem fala alguma. Esse é o poder do marketing. Saber como vender seu produto em uma propaganda concisa, direcionada e autoexplicativa.

Apesar de ainda não sabermos exatamente quais as especificações finais do aparelho, como resolução da tela, capacidade de processamento, memória interna e tudo mais, os jogos que foram mostrados no trailer deixaram claro que este é o material chave do console. Grandes jogos, de grandes franquias, de grandes empresas, e principalmente as grandes IPs da Nintendo, tudo ‘on the go’.

Então, não se preocupem porque, com o Nintendo Switch, a Nintendo não está abandonando os consoles para concorrer no mercado de tablets. Sem os joy-cons, ele pode até parecer um tablet, ele pode ter apps, e pode facilitar na hora de utilizar algumas funções como web browser, miiverse, etc. Mas o Switch não é um tablet, ele não vai competir neste mercado. Ele é um console, que funciona também em formato portátil, permitindo que você possa jogar todos os jogos que você gosta não apenas em sua TV, mas em qualquer lugar que você queira. Quando você quiser, onde você estiver.

Jornalista.
Hylian.
Mas talvez seja um Kokiri.
…ou um Korok.