[5+1] Cinco jogos indispensáveis do GAMECUBE [e mais um]

A Nintendo tem um histórico impecável de consoles e portáteis. E até quando alguma coisa dá errado, como no caso do Wii U, é admirável ver a lineup do console e ver que ainda assim ele é a casa de franquias e jogos incríveis. Mas sempre tem aquele que a gente gosta mais, que fica no nosso coração. E é bem difícil ter passado pelo GameCube e não tê-lo como um dos preferidos, ou até O PREFERIDO.

E não tem lugar melhor para inaugurar nossa editoria 5+1 do que o Nintendo GameCube. Nessa editoria vamos listar cinco coisas que a gente gosta, que achamos legal, que queremos indicar. Sem ranquear, porque não é uma competição de melhores entre os melhores. Muitas vezes iremos indicar ‘melhores coisas de alguma coisa’, mas dentro da lista, não vai ser 1º lugar, 5º lugar e etc. Vai servir mais como uma indicação para quem quiser conhecer, uma listagem de coisas que gostamos. E depois +1, que é nossa menção honrosa do dia.

E pra começar o 5+1 com o pé direito, cinco jogos indispensáveis do GameCube.

– METROID PRIME 2: ECHOES –

Quando a Retro Studios decidiu trilhar seu caminho no mundo dos games, o estúdio assumiu uma tarefa ousada como primeira empreitada. Levar o universo da série Metroid para os gráficos em 3D, criar um mundo que fosse único mas ao mesmo tempo não descaracterizasse o que a franquia já havia criado. E a série Prime se especializou nisso. Jogos de extrema qualidade, modificando tudo o que já conhecíamos sobre Metroid, trazendo o jogo não apenas para o mundo 3D, mas também para o universo da exploração em primeira pessoa, colocando o jogador dentro da armadura de Samus, e sem jamais perder a essência da franquia. Foram três jogos incríveis, mas o grande destaque está em Metroid Prime 2: Echoes, que soube como nenhum outro jogo melhorar o que seu antecessor já havia feito, elevar aquele universo, e se transformou em uma das continuações mais importantes e relevantes da história.

Tudo o que seu antecessor havia feito com absoluto sucesso, Echoes faz melhor. A ambientação, a concepção dos cenários, a diversidade dos inimigos, a intensidade das batalhas, a proporção do mundo e o senso de exploração (e também o senso de se perder no mapa e ficar andando sem rumo pra lá e pra cá, mesmo tendo um mapa muito bem estruturado), tudo está presente em maior escala do que já estava no primeiro Metroid Prime, e já era tudo muito bem feito antes. Tudo o que eles precisavam nessa continuação era fazer melhor, e a Retro soube muito bem como fazer isso.

Echoes até arriscou um multiplayer que é bem divertido, mas não chega a impactar tanto na identidade do game. O seu grande trunfo mesmo é ser um episódio de destaque em uma sub-série que por si só já se destaca o suficiente.

– SUPER MARIO SUNSHINE –

Super Mario Sunshine dificilmente é um Mario. Eu vou sempre dizer isso. Mas isso quando estamos falando da essência do que é ser um legítimo jogo da série Super Mario Bros. Porque se tem uma coisa que Sunshine é… é que ele é um dos melhores jogos já feitos. No GameCube, na Nintendo, na história dos games.

O jogo é diferente de tudo o que já se viu na série Mario, e nem sequer se deu ao trabalho de tentar, sem se preocupar em criar ambientações diversificadas, com montanhas de lava, desertos, florestas, como estamos acostumados na série. Tudo em Sunshine tem temática de praia, e esse tema único é o que diferencia tanto o jogo dos outros da franquia, e é o que ele tem de melhor para oferecer. Sunshine é extremamente bem planejado, nos mínimos detalhes, os ambientes amplos e repletos de inimigos, os desafios únicos e realmente desafiadores com F.L.U.D.D e sem ele. Super Mario Sunshine é um jogo bem difícil perto do que estávamos acostumados. Mas seu maior atrativo é a física da água. O peso que Mario ganha quando você está dentro d’água, e você sente isso nos controles. Desenvolvimento cuidadoso com riqueza de detalhes como uma IP first-party da Nintendo merece.

Passar pelo GameCube sem jogar Super Mario Sunshine é quase um pecado. Ele é um jogo incrível, LINDO, divertido, desafiador. E nos trouxe um dos personagens mais adoráveis da série: Bowser Jr. E ele conta uma história com muito mais essência do que qualquer jogo anterior (e posterior) da série. Mais até do que Odyssey. E isso faz dele um jogo único. Um jogo que até é um Mario aqui e ali, mas que também poderia ser qualquer outro jogo caso tivesse outro protagonista e jamais iríamos descobrir que ele era daquela série. Isso faz dele um jogo indispensável.

– LUIGI’S MANSION –

O GameCube quebrou uma tradição da Nintendo: lançar consoles com um jogo do Mario. Ao invés disso, cabia ao seu irmão menos famoso protagonizar uma aventura solo e carregar nas costas o peso de inaugurar a lineup de um console.

Pois não é que o Mario Verde cumpriu muito bem esse papel? Luigi’s Mansion é uma aventura incrível, que tem uma personalidade bem própria, e soube como nenhum outro se distanciar o máximo possível do que já estávamos acostumados na série Mario. Ver Luigi pulando em plataformas, atravessando diversas fases em mundos variados seria bem fácil, mas arriscar introduzir um novo estilo só para que o personagem pudesse ter uma IP própria e apresentar isso como lineup de lançamento de um console foi arriscado da parte da Nintendo, mas no final deu tudo certo. Luigi’s Mansion é cultuado pelos fãs, e demorou muito tempo para que o jogo recebesse uma continuação (Dark Moon no 3DS), mas isso também foi benéfico, pois não saturou a franquia e fez com que o novo jogo viesse com gosto de novidade e nostalgia bem misturados.

Agora o primeiro Luigi’s Mansion volta ao 3DS em outubro, e se você não jogou, não passou pelo GameCube, ou passou sem jogar esse jogo, nós recomendamos que dê uma chance. Não existe a mínima possibilidade de se arrepender de viver essa aventura incrível.

– THE LEGEND OF ZELDA – FOUR SWORDS ADVENTURES –

O GameCube foi uma das melhores casas para The Legend of Zelda, tanto pelos ports e edições especiais, mas principalmente pela quantidade de jogos inéditos da série que o console recebeu. The Wind Waker e Twilight Princess tiveram seus momentos de brilhar novamente em versões HD no Wii U, e ficaram lindos, tornando-se jogos indispensáveis de múltiplos consoles, uma vez que Twilight Princess também possui uma versão de Wii que não deixa nada a desejar ao original, e ainda oferece uma visão diferente (literalmente) da versão do Cube.

E por isso, porque os outros Zeldas do gameCube já tiveram seus momentos posteriores, que iremos indicar Four Swords Adventures. O jogo tem uma atmosfera única para uma geração que já estava totalmente mergulhada em amplos mundos 3D, jogos incríveis com ambientações de tirar o fôlego, e Zelda soube como aproveitar o que havia de melhor do estilo do GameBoy Advance, adaptado ao poder que o GameCube tinha a oferecer. O resultado é uma das aventuras mais divertidas da série, com um gameplay único, que misturava multiplayer e conectividade com o GBA, e ainda oferecia um single player sólido e sem empecilhos para quem não tinha tantos amigos assim com GBAs para poder realizar as partidas multi.

É curioso ver como a Nintendo, com oportunidades como o download play do 3DS e o GamePad do Wii U, nunca adaptou Four Swords Adventures para estes consoles, ou criou um novo jogo com a essência que esse possui. o 3DS recebeu Four Swords Anniversary Edition, da sempre competente Grezzo, que é um jogo gratuito e muito divertido, mas ele não chega perto do que a experiência de Adventures foi capaz de oferecer. Isso acaba deixando o jogo ainda mais clássico e icônico, mas quem sabe agora no Nintendo Switch vejamos um novo olhar para Four Swords, talvez até pelas mãos da própria Grezzo. É uma sub-série dentro da série Zelda que deve continuar existindo e sendo explorada, pois tem muito potencial para gerar jogos incríveis.

– PIKMIN –

Pikmin foi apenas uma das IPs criadas para o GameCube, mas seu carisma, seu olhar único, e claro o fato de ser um legítimo filho do mestre Miyamoto transformaram o jogo em um clássico instantâneo. Tanto que ele ganhou uma continuação ainda no mesmo console, depois teve um descanso de longos 12 anos indo reaparecer no Wii U, na terceira aventura da série. Mas é onde tudo começou que está a magia da série. As pequenas e adoráveis criaturas que carregam tudo o que encontram proporcionam um gameplay único, uma experiência que marcou a vida de muitas pessoas durante aquela geração. As cores vivas, a forma independente como cada um deles age, e depois a forma como trabalham em grupo. Tudo foi obviamente criado para mostrar o poder de processamento do GameCube, com aquele toque especial e carinho que a gente encontra nos jogos da Nintendo.

Pikmin soube como imediatamente conquistar nossos corações e mesmo tendo ficado muito tempo ausente, quando o terceiro jogo chegou era gratificante ver como tudo aquilo soava totalmente familiar, e esperamos que a janela entre o 3 e o 4 não seja tão longa como foi a do 2 e 3.

[MENÇÃO HONROSA] ETERNAL DARKNESS – SANITY’S REQUIEM

O GameCube havia chegado para mostrar jogos lindos com visuais impressionantes, e Eternal Darkness – Sanity’s Requiem, um dos jogos da lineup de lançamento, era o patinho feio da turma. Parecia um jogo de Nintendo 64… porque ele era. O jogo foi inicialmente desenvolvido para o N64 e seu desenvolvimento passou então para o GameCube quando a geração virou. Mas o estilo do console antigo permaneceu. Porém todo mundo sabe que o patinho feio cresceu e se transformou em um belo cisne. E Eternal Darkness é esse cisne em sua própria geração.

O jogo oferece terror com uma imersão que não havíamos visto antes. Misturando magia com história com fantasia com ciência, ele soube como trabalhar seus protagonistas de uma maneira que revolucionou o gênero. E a quantidade de personagens jogáveis, a forma como essas histórias se misturavam, tudo era grandioso em sua proposta. E o destaque está, claro, no medidor de sanidade, que causava efeitos no jogo que simulavam o volume da TV abaixando, a TV desligando, o jogo sendo finalizado prematuramente, o personagem morrendo instantaneamente, gritos e choros perturbadores de fundo, uma verdadeira experiência 4D com o jogador. A série hoje pertence à Nintendo, e nunca mais viu a luz do dia, transformando Eternal Darkness em um clássico. E se isso um dia acontecer, do jogo receber uma continuação, esperamos que seja um material que valha a pena todos esses anos de hiatus.

Eternal Darkness – Sanity’s Requiem merece todas as honras e circunstâncias de fazer parte da nossa Menção Honrosa de estreia.

Jornalista.
Hylian.
Mas talvez seja um Kokiri.
…ou um Korok.